sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Tempo para enrolar...

Esta é uma simples madrugada. Não a nada a se fazer no momento. Muitas coisas se pode fazer no momento. Depende do seu animo; Como ele está? Eu não o visito há muito tempo. E daí? Acontece que ele tem desaparecido, que muita coisa está se perdendo. Diga-me seu nome anônimo. Para que ler? Isto aqui é aquele velho passatempo que eu sempre encontrava em cima da mesa dele. Perto do café com leite e os biscoitos de polvilho. Na ultima prateleira de cima, aquela única que precisava de um banquinho para alcançar, era nela que ele guardava todos os discos e folhas importantes. Que isso importa? nada, é que caso sua casa pegasse fogo, não daria tempo de pegar tudo de lá, tudo acabaria; Sertão. Preocupo-me muito com o senhor anônimo que irá ler este meu longo tempo em tão curtos minutos. Pela enrolação. Não vejo bebida para que algo aconteça. Na sua casa não havia muitas coisas. O deserto, queria falar dele, estamos longe. A água é preciosa, como qualquer suprimento. Ração e whisky, sério, sem brincadeiras, encontramos algumas caixas num túnel perto da fronteira, devia ser um posto militar desativado. Ou não, a fogueira havia acabado de ser apagada, o que significava que alguém esteve ali tempos atrás. Alguma luz começava a surgir, estranho, como uma ideia, a imaginação florescer, ou algo assim, não sei definir, aquela velha sensação de estarmos sendo descobertos. Um homem com muitos papéis e uma lanterna entrava e passava pela nossa frente sem dizer nada. Extremamente estranho. Aquele canto de poucos metros quadrados abrigava nos três. Ele foi rápido, pegou um velho revólver que estava na por ali e saiu, mas em nenhum momento olhou para nós, agiu como se não estivéssemos ali. Se o relógio da parede estava certo, faltava apenas umas duas horas para amanhecer. Não sou bom em criar histórias para ela dormir. A hora é estranha, as vezes o tempo nos engana, eu posso contar do jeito que eu quiser. Eu não sei se vivo isto, se é sonho, se é lembrança, memórias. Eu gosto delas, devem ser, memórias de noites no deserto. Deserto frio. O livro que eu levava desde que a encontrara perdida, ela não entenderia. Sempre me perguntava o por quê de vivermos nos escondendo daqueles homens armados, analfabetos, sanguinários, pobres, marionetes. Ela entenderia aquele livro mais tarde. Uma hora ela vai crescer, cedo ou tarde. Mesmo pouco, falta algum tempo para o sol surgir, vou tomar este para um planejamento, pensando em desenvolver ideias que nos ajudem a acabar com esse barulho enorme e horrível que não a deixa dormir em paz. Eu quero silêncio para que ela fique bem. Só isso. E estou cansado dessa enrolação que te fez perder tempo, a culpa é sua de me ouvir. Até.

Um comentário:

  1. Está falando comigo? Rodrigo, leio pq eu estava fazendo um trabalho de geografia apareceu seu blog eu li gostei, favoritei e entro esporadicamente para se postou um novo texto.

    ResponderExcluir

Nem pão, nem leite

Pensei em escrever. Há muito tempo isso não acontece de fato. Os anos passaram, algumas coisas mudaram e outras não. A civilização continua...