Realmente era muita coisa, inúmeras folhas espalhadas pelo chão,
não tinha como desviar. Ia aos poucos passando, levemente pisando na tentativa
de não amassa-las, muito lentamente e pensando. Chego ao sofá, me sento pegando uma delas para
ler, enquanto que ao canto na mesinha ele escrevia.
Quando fui me dirigir os olhos já fascinados pelo ambiente a
folha, uma duvida me aparece. Deve ter sido aquele piso bagunçado pelo branco. Meu
raciocínio estava muito lento, eu estava desligado e tudo parecia tão calmo e interessante.
Por que escrevendo? Se ali, no meio daquele espaço físico, havia já tanta
historia. Não entendia. Pensei em perguntar. Eu sou quieto, ele também, muitas
das nossas conversar eram apenas silencio. Drogas. Havia ali. Muita coisa
habitava aquela linda e sombria sala. Preferi o silencio, li o texto. Era uma
carta, uma linda carta de algo que parecia ser uma despedida. Eram muitas folhas, não iria permanecer ali, a
ler todas elas enquanto ele, com toda a calma do mundo e usando de palavras
simples, escrevia. O que posso fazer? Ele parou o lápis, se levantou e foi até
a geladeira. Segui seus passos. Parece que algo vai acabar. O leite talvez, ou
aqui mesmo...
As vezes seus textos pecam por não terem continuação ! esse ficou ótimo ,e me lembra um dos meus autores preferidos ,que assim como você acabou de ''trollar'' o leitor com o término bruto do clímax do texto :p
ResponderExcluirMachado de Assis fazia isso ,enfim ,ficou excelente !
Clara Telis.
O recorte de cena - sem começo ou fim, suspenso no tempo - é lindo. Essa narração em primeira pessoa confusa e personagens que, de tão desfocados e confusos criam forma concreta e bem definida também é ótima.
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