Observo. Penso muito. Não deveria. Não, nunca vou conseguir
te passar o que sinto agora. Na verdade, nem eu sei. Felicidade ou tristeza. Talvez
seja tudo e nada ao mesmo tempo. Sempre quando olho para eles, eles todos, me
vejo de um modo insignificante. Eu sei que sou. Sempre fui. Mas... na verdade é
tão deprimente ver todos seguirem e eu estar aqui, parado, somente observando e
não conseguir me mover. Minhas pernas tremem. O medo vai tomando conta de mim,
junto com uma vergonha que ela me disse que eu não deveria ter. Por um momento
pensei que iria chorar. Vergonha sim. Eu devo me ridicularizar. Não existe
forma de me sentir bem, que sou algo, sabendo que nada faço pra mudar isso. Sei;
estou sendo dramático. E é isto que mais me envergonha. Nada foi como eu queria
que fosse naquele mês. A criação não foi como a dela. É incrível ver toda a
força e felicidade com que ela vive. Eu admiro. Por quê? Por que faço isto? Pois
só existe eu neste quarto, a chuva deixou o telefone mudo, não tenho como ligar
para meu amigo. Se bem que ele provavelmente deve estar ouvindo cada palavra
que estou dizendo, com a minha voz meio rouca, tremida, lenta... Novamente: o
que quero? Nada. Sim. Preciso afirmar a mim mesmo que estou abaixo. No ultimo
degrau da escada velha de madeira. Estreita. Fico cabisbaixo no meu canto,
tentando ouvir o silencio, desaparecer deste mundo. Ele parece me engolir, parece
que vai me consumindo com esta imensa escuridão que talvez seja tristeza e nem
por um instante felicidade. Olhe: a culpa é toda minha. Deixo-te escolher: se
quiser ir embora, pode ir, não tem problema. Eu ficarei bem sozinho aqui. Eu não
quero te pedir para que fique, por mais que queira. Pode não me abandonar? Por
favor, fique aqui comigo. Não me esqueça. Ou esqueça... eu queria dizer aquilo,
mas não. Eu não quero que ninguém me ajude. Quem irá ajudar, fara isso de
qualquer modo. Não sei se você é esta pessoa. Talvez seja eu mesmo. Sim, sou
eu. Minha confusão acaba por aqui. Mas a sensação não sai da mente. Ela esta
lá, me ajuda a tira-la. Não a suporto por muito tempo. Meus batimentos caem. Sinto
frio. Minha esperança: Podem ir, vou ficar aqui com meus papeis e meu lápis...
podem ir. Ficarei bem. Deixarei tudo que fui, que sou, e que não mais serei
nestas folhas que já estarão velhas quando encontra-las. Talvez consiga
aprender um pouco com elas. Guarde-as para ti. É a historia de uma vida...
Os últimos instantes foram de esperança. Que aquelas folhas
velhas, pudessem ajudar alguém. Era isso o que lhe deixava feliz, seu sorriso
me fez alegre, me trouxe paz, diante do desmoronamento de sua vida. Se aquelas
folhas não fossem encontradas... talvez sua historia nunca será conhecida. Isto
não o deixava triste, pois elas estariam lá, enterradas em terra. Mas se fossem
encontradas, poderiam mudar o mundo. Ou uma pessoa que seja. Ou nada novamente.
É que a sensação que ela pudesse mudar, sumiu, não sei como. Por isso
desacredito novamente. Você que segura estas folhas, a vida dele não parece ser tão
pesada, não é mesmo? Tu tens uma vida em tuas mãos. Ou talvez a morte...
O grafite esta
acabando. Vou apontar o lápis, já volto...
Ahhh,então foi esse que eu amei a primeira vista ,porém como não comentei no dia ,agora falta inspiração :p
ResponderExcluirClara Telis